terça-feira, 21 de junho de 2016

Bronquiolite

O que é a bronquiolite?
O ar que inspiramos entra pela boca/nariz e segue o seguinte trajeto: faringe » laringe » traqueia » brônquio » bronquíolo » alvéolo (veja a ilustração ao lado para melhor entender).pulmão
Conforme avançamos ao longo da arvore respiratória, as estruturas vão se tornando cada vez mais ramificadas e finas. Os bronquíolos são a última porção da árvore respiratória antes dos alvéolos, que são as estruturas que entregam o oxigênio respirado para o sangue.
Os bronquíolos são estruturas quase microscópicas, com diâmetro menor que 1 mm. São através de canais tão pequenos que o ar precisa passar para chegar nos alvéolos. Qualquer processo inflamatório que acometa os bronquíolos causa inchaço na parede dos mesmos, fechando a passagem de ar e aumentando a produção de muco dentro das vias aéreas. A bronquiolite – inflamação dos bronquíolos – se traduz clinicamente por broncoespasmo (chiado no peito) e tosse com expectoração.
Causas e fatores de risco da bronquiolite
A bronquiolite é habitualmente causada por uma infecção viral, na maioria dos casos por uma vírus chamado Vírus sincicial respiratório (VSR). Outros vírus também podem ser os responsáveis, como Rinovírus, Influenza, Parainfluenza e Adenovírus. A transmissão é feita de forma semelhante a qualquer outra virose respiratória, como gripes e resfriados.
A bronquiolite é uma infecção altamente contagiosa, que ataca preferencialmente crianças menores de 2 anos. Os bebês com menos de 6 meses são as principais vítimas.
O VSR é muito comum e existe no mundo inteiro. Praticamente todas as crianças terão tido contato com ele até os três anos de idade. Algumas desenvolvem quadros brandos, semelhantes a resfriados, enquanto outras, geralmente as mais novas, podem ter quadros graves, com necessidade de hospitalização. Habitualmente, as crianças acima dos 2 anos que entram em contato com o VSR não desenvolvem a bronquiolite, apenas um quadro de resfriado simples. É possível se infectar com o Vírus sincicial respiratório mais de uma vez, porém, em geral, as infecções subsequentes são mais brandas que a infecção inicial, principalmente nas crianças mais velhas.
Os principais fatores de risco para desenvolver bronquiolite são:
– Prematuridade.
– Baixo peso ao nascer.
– Idade inferior a 3 meses.
– Crianças com doença pulmonar, neurológica ou cardíaca prévia.
– Imunodeficiência.
– Fumo passivo.
– Frequentar creche.
– Ter irmãos mais velhos que frequentemente trazem infecções respiratórias para casa.
– Morar em casa amontoado com muitas pessoas.
– Ambientes frios (o vírus costuma circular com mais facilidade no inverno).
Sintomas da bronquiolite
O período de incubação do VSR costuma ser de 2 a 5 dias. Os primeiros sintomas são inespecíficos, típicos de qualquer resfriado, com coriza, espirros, tosse e febre baixa. Na maioria das crianças, o vírus fica restrito às vias aéreas superiores e o quadro não evolui muito a partir daí. Nas crianças mais novinhas, porém, o vírus pode alcançar áreas mais profundas da árvore respiratória, atacando os brônquios e bronquíolos, levando à bronquiolite.
Na bronquiolite os sintomas surgem após 2 a 5 dias de resfriado, apresentando o seguinte quadro:
– Recusa alimentar.
– Cansaço para mamar.
– Letargia e sonolência.
– Broncoespasmo (chiado no peito).
– Tosse persistente, que pode durar por mais de 2 semanas.
Nos casos de bronquiolite grave, a criança pode apresentar:
– Dificuldade respiratória, caracterizada por frequências respiratórias elevadas, geralmente acima de 60 incursões por minuto e uso da musculatura abdominal e intercostal durante a respiração.
– Cianose (dedos e lábios arroxeados).
– Rebaixamento do nível de consciência.
Em crianças menores de 2 meses um dos sintomas da bronquiolite pode ser pausas respiratórias (apneia) de até 20 segundos.
Na maioria dos casos, a bronquiolite é uma doença autolimitada, com resolução espontânea após alguns dias. O pico dos sintomas costuma ocorrer entre 5 a 7 dias. A recuperação completa geralmente se dá em 1 ou 2 semanas, mas pode demorar até 4 semanas em alguns casos.
Os casos mais graves são aqueles em que o bebê apresenta dificuldade respiratória, principalmente quando há sinais de esforço para respirar. Em geral, apenas 3% dos casos precisam de hospitalização.
O diagnóstico da bronquiolite é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico. Na maioria dos casos, não há necessidade de exames laboratoriais ou radiológicos.
Tratamento da bronquiolite
Por segurança, todo bebê menor que 6 meses com quadro de infecção respiratória deve ser avaliado pelo pediatra.
Assim como na gripe, não há um tratamento específico para a bronquiolite. Nas casos mais leves, o tratamento pode ser feito em casa, com repouso, antipiréticos e soro nasal. Nebulização com soro também pode ajudar. Se houver algum grau de broncospasmo, a nebulização com broncodilatadores está indicada.
Não se deve usar anti-histamínicos, descongestionantes ou antibióticos para tratar bronquiolite.
Os bebês que ainda mamam costumam ficar mais cansados, não conseguindo mamar com a mesma eficiência. Nestes casos, ofereça o peito com mais frequência para que o mesmo mantenha-se sempre bem hidratado e alimentado.
Nunca fume perto de uma criança, principalmente durante um quadro de infecção respiratória.