domingo, 24 de janeiro de 2016

Ligação entre microcefalia e vírus zika

A correlação entre os casos de infecção por vírus zika e o aumento de casos de microcefalia é grande no Brasil, e cientistas trabalham já assumindo que um fenômeno é causa do outro. O mecanismo biológico por trás dessa relação, porém, ainda desafia os pesquisadores do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP, que desde o mês passado trabalham em esquema de força-tarefa para estudar o vírus.
 MICROCEFALIAAlta de casos preocupa
Essa possibilidade abre mais alternativas para explicar por que algumas regiões manifestam muitos casos de microcefalia ligados ao zika, enquanto outras têm o vírus e parecem não ter um aumento no nascimento de crianças com o problema.Se for isso, aquilo que estaria atacando o cérebro e o sistema nervoso de fetos e causando microcefalia não seria o vírus em si, mas células do sistema imune que buscam destruir tecidos infectados pelo patógeno. Os mecanismos de defesa celular da mãe, então, estariam atacando o próprio bebê.
A resposta para o problema, porém, não está apenas em estudos sobre a biologia dos vírus e das vítimas, mas no contexto da epidemia que vem se espalhando pelo mundo. Para avaliar isso, o ICB abriga deste quinta-feira (7) uma equipe de pesquisadores do Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, onde a epidemia do zika é mais antiga, na tentativa de avaliar o problema. Os cientistas têm experiência na elaboração de diagnóstico para o vírus e vão ajudar a treinar colegas da USP nas próximas duas semanas.
Quando um paciente é infectado por dengue pela segunda vez, por exemplo, existe o risco de ocorrência da chamada dengue hemorrágica, que causa sangramentos internos. Essa manifestação clínica da doença é caracterizada por uma reação tão violenta de células imunes contra células invadidas pelo vírus que prejudica o próprio organismo da pessoa.Aedes aegypti, que transmite dengue e chikungunya, também pode transmitir o zika vírus (Foto: CDC-GATHANY/PHANIE/AFP)Mosquito 'Aedes aegypti' transmite dengue e zika: cientistas estudam se pacientes que tiveram contato anterior com dengue poderiam ter resposa imune mais violenta, associada à microcefalia em fetos (Foto: CDC-GATHANY/PHANIE/AFP)Tudo isso, contudo, ainda está no terreno das hipóteses, e só experimentos e estudos epidemiológicos com os que o ICB começou a fazer trarão a resposta. Camundongos inoculados com o vírus estão sendo monitorados pela equipe do cientista Jean Pierre Peron, do ICB, e dentro de poucas semanas pode ser que alguma pista surja sobre o problema.
Já se sabe, de qualquer forma, que relação entre o zika e a microcefalia não é exclusividade do Brasil. O virologista Paolo Zanotto, do ICB, que lidera uma rede de 32 laboratórios que estão pesquisando o zika agora, já começou a ser notificado de outros casos. Médicos atuantes na Polinésia Francesa, no Pacífico, descobriram que os casos de microcefalia também tiveram alta ali, mas só depois de a ligação ser apontada no Brasil.BDBR - Microcefalia (Foto: Rede Globo)Casos de microcefalia estão muito provavelmente associados ao zika vírus (Foto: Rede Globo) CURTA O BEM ESTAR
Siga o programa nas redes sociais
Não está descartada nem a hipótese de que o vírus não tenha relação com a microcefalia, afirmam os cientistas, ainda que isso seja improvável a esta altura.
O problema é que a hipótese mais simples para explicar essa causalidade -- a possibilidade de o vírus ser capaz de atravessar a placenta e atacar o sistema nervoso de todos os fetos com que entra em contato -- deixa lacunas. Por que, por exemplo, o vírus não parece estar aumentando a incidência de microcefalia no Oeste da África, seu continente de origem? E por que os casos de microcefalia parecem ter um epicentro em Pernambuco, no Brasil?
Cientistas já sabem que a variante do zika em circulação no país passou pela Ásia antes de chegar até a América do Sul, e que durante o caminho uma mutação no DNA do patógeno pode tê-lo deixado diferente da versão original africana. Mas uma explicação sobre por que o zika provoca microcefalia em alguns casos, mas não em outros, pode ser mais complexa.
Cientistas do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP, já estão realizando experimentos com camundongos para saber se o problema neurológico que tem sido visto em bebês é causado diretamente pelo vírus ou por algum tipo de reação do sistema imune – os mecanismos de defesa do organismo contra micróbios invasores.

Cientistas do Senegal treinam brasileiros 
Segundo o virologista Amadou Alpha Sall, líder da equipe senegalesa, é possível que uma reação imune nociva, caso exista, esteja ligada não só ao zika. Ela se deveria também à sua interação com os vários tipos de vírus da dengue, que são seus parentes próximos evolutivamente.
Possível interação com dengue
É possível, dizem os cientistas, que o zika esteja provocando uma reação imune desse tipo, mas com efeito mais notável em fetos do que nas gestantes que contraem o vírus. E essa resposta mais violenta ao vírus poderia estar sendo “preparada” pelo organismo depois de contato dos pacientes o com o vírus da dengue. Como o zika aparentemente tem uma capacidade maior de penetrar a placenta e uma preferência por atacar o sistema imune, a maior vítima na hora da complicação seriam os embriões e fetos.
“Se isso for verdade, as áreas onde existe essa circulação de vários tipos de vírus ao mesmo tempo são aquelas onde a relação entre o zika e a microcefalia transpareceria mais”, afirmou Amadou, em entrevista coletiva na USP. “Na Polinésia Francesa e em Pernambuco vemos vários vírus circulando ao mesmo tempo.”
Estudos ainda são necessários
Se a reação imune está por trás da microcefalia, pode ser que o mistério na distribuição de casos de microcefalia ligados ao zika esteja relacionado também ao histórico de dengue dos lugares onde ele se verifica. Evidentemente, o fato de o Oeste da África não ter se deparado ainda com o problema pode estar relacionado simplesmente à menor infraestrutura médica para monitorar problemas congênitos. Mas pode ser, por outro lado, que a ausência de dengue de certas variantes na região tenha livrado o local de potenciais interações maléficas com o zika.
Polinésia Francesa também tem zika e microcefalia
“No Taiti, foram registrados 12 casos de mães de crianças com microcefalia, e quatro delas testaram positivo para o zika”, afirmou. A ligação só foi feita no fim do ano passado, porém, depois que o problema em Pernambuco começou a atingir grandes proporções. Em uma população pequena como a da Polinésia, desvios estatísticos na incidência de doenças são mais comuns, e doze casos de microcefalia não chamaram a atenção das autoridades. O Brasil, em contrapartida, já registra mais de 3 mil – uma ordem de grandeza acima do normal –, e em números absolutos o número também chama mais à atenção.
Ainda aberto a muitas hipóteses para entender a ligação entre zika e microcefalia, o cientista afirma que até mesmo a biologia intestinal dos mosquitos pode estar por trás da distribuição regional dos casos de microcefalia. A constituição genética do Aedes aegypti varia conforme o local onde o mosquito é encontrado, e a fauna de micróbios no intestino do mosquito também. Zanotto menciona o trabalho de colegas em Sergipe, onde uma população de mosquito tem uma microbiota particularmente boa para a proliferação do vírus da dengue. Não existem, porém, ainda estudos sobre isso em outros estados.
Surto de zika no verão
Enquanto uma explicação biológica não surge, porém, o melhor é que autoridades de saúde pública atuem como se o vírus zika seja a causa direta da microcefalia, por um princípio de precaução.
“Vamos assumir que existe uma relação causal e vamos atuar como se ela existisse”, diz Zanotto. Segundo ele, São Paulo e outros estados com grande incidência de dengue também precisam estar preparados para ver o número de casos de zika e de microcefalia subir de março a maio, quando o Aedes se prolifera mais no Sudeste. “A gente está se preparando como se fosse acontecer um surto maciço no verão.”

Comemorações do dia!





sábado, 23 de janeiro de 2016

Sessão de fumo por narguilé equivale a alcatrão de 25 cigarros

Uma única sessão de fumo por narguilé -- dispositivo que mistura fumaça a vapor fazendo-a passar por um frasco de água -- equivale em média ao consumo do alcatrão de 25 cigarros, conclui um novo estudo.
Popular no Sul da Ásia, no Oriente Médio e no Norte da África, -- conhecido também pelo nome de 'xixa' -- o dispositivo tem ganhado popularidade no Ocidente. Médicos e sanitaristas acham preocupante, porém, que muitas pessoas não fumantes têm experimentado narguilé com a percepção de que é menos nocivo que o cigarro.
Normalmente usado para consumo de tabaco aromatizado, porém, o dispositivo não é capaz de filtrar a fumaça, e acaba incorrendo em um consumo maior de algumas substâncias presentes no tabaco.
Além do alcatrão extra, uma sessão de narguilé equivale a 2,5 vezes a nicotina de um cigarro, e cerca de 10 vezes o monóxido de carbono.
Esses números foram extraídos de uma análise que avaliou 542 artigos científicos publicados sobre a xixa. O grupo acabou se concentrando nos 17 trabalhos mais relevantes, que de fato tinham dados para estimar a concentração de substâncias tóxicas envolvidas no consumo do produto.
Hábito e vício
"Nossos resultados mostram que o fumo de tabaco por narguilé implica preocupações de saúde reais e deveria ser monitorado mais de perto do que é hoje", afirmou Brian Primack, sanitarista da Universidade de Pittsburgh (EUA) que liderou o trabalho. O estudo foi publicado na revista médica "Public Health Reports".
Segundo o pesquisador, porém, apesar das comparações feitas com o tabaco de cigarros, ainda é difícil avaliar se o hábito de usar o narguilé é pior. Um fumante compulsivo tipicamente consome mais de 20 cigarros por dia, enquanto um usuário frequente de narguilé não costuma chegar a tanto.
"As estimativas às quais chegamos não nos dizem exatamente o que é pior", declarou Primack, em comunicado à imprensa. "Elas sugerem, porém, que usuários de narguilé são expostos a muito mais substâncias tóxicas do que eles provavelmente acham que são."
O narguilé está se tornando uma preocupação maior de saúde pública nos EUA porque tem ganhado popularidade entre adolescentes. Pela primeira vez, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA registraram um uso de xixa mais disseminado que o de cigarros entre estudantes do ensino médio, apesar de muitos o usarem só ocasionalmente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Evitar o Aedes Aegypti

Muitas vezes, a ameaça da dengue pode estar nos fundos da casa ou na cobertura do prédio, em um espaço associado ao lazer: a piscina. A água límpida e na temperatura ambiente pode se tornar criadouro de larvas do Aedes aegypti se não houver certos cuidados por parte do proprietário.
– Por questão de clima, no Rio Grande do Sul se utiliza a piscina por poucos meses no ano, e muitas vezes os proprietários a deixam abandonada durante o inverno – avalia Luiz Felippe Kunz Junior, médico-veterinário da Coordenadoria Geral da Vigilância em Saúde da Prefeitura de Porto Alegre.
A confirmação de 206 novos casos de dengue no Rio Grande do Sul nesta semana reforça o alerta para que a população combata os focos do mosquito. A forma mais prática de evitar o surgimento do Aedes é manter o ano inteiro a rotina de adicionar cloro ou outro produto que elimine microorganismos: o mosquito não sobrevive à ação do químico. O uso do motor também é eficiente, pois os ovos são descolados das paredes pela ondulação e destruídos pelas pás.
– Outra alternativa é colocar uma tela que cubra totalmente a piscina, de forma a evitar que a fêmea do mosquito deposite seus ovos nas paredes – aponta Elson Pedro Resende da Silva, responsável pelas ações de combate à dengue da Coordenadoria Regional da Secretaria Estadual da Saúde na Região Noroeste.
Algumas piscinas são mais propensas ao desenvolvimento do mosquito, como as de plástico ou com diferentes níveis, que têm menos de um metro de profundidade nas partes mais rasas. Para se alimentar, a larva mergulha até o piso; quando a piscina é muito funda, não resiste à pressão e morre. Pelo mesmo motivo, piscinas abandonadas ou com água até a metade também preocupam.
- Podem surgir outros tipos de mosquitos nas piscinas mais fundas, mas não o Aedes aegypti - afirma Kunz.
Casos confirmados de "prima da dengue"
Os agentes explicam que, ainda que sejam encontradas larvas do mosquito da dengue nas piscinas, o problema ocorre principalmente em criadouros menores, como latas espalhadas pelo pátio, bromélias, pratos de vasos e ralos pluviais.
Além da dengue, há mais um motivo para combater o mosquito. O Instituto Evandro Chagas confirmou ontem 16 casos de Zika Vírus no País - oito no Rio Grande Norte e oito na Bahia -, também transmitida pela picada do mosquito aedes aegypti.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Religião

O conceito de religião tem origem no termo latim religĭo e refere-se ao conjunto de crenças ou dogmas relacionados com a divindade. A religião implica sentimentos de veneração e de obediência perante Deus ou os deuses, normas morais para a conduta individual e social e práticas rituais, como a oração e o sacrifício como forma de prestar honra.
De acordo com a sua concepção teológica, existem vários tipos de religiões. As monoteístas são aquelas que se baseiam na existência de um só Deus, criador do universo (como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo). As politeístas, por sua vez, acreditam na existência de muitos deuses organizados numa hierarquia ou num panteão (como o hinduísmo ou as antigas religiões egípcias e romanas). Também se pode falar das religiões panteístas, que sustentam que o criador e os objectos criados constituem uma mesma entidade (como o taoísmo), e das religiões não-teístas que não acreditam na existência de deuses absolutos nem em criadores universais (como o budismo).
Outra classificação das religiões surge de acordo com a sua revelação. As religiões reveladas baseiam-se na presumida revelação feita por uma entidade sobrenatural, que indica quais são os dogmas nos quais se deve crer e as normas e ritos que se devem seguir. As religiões místicas, por sua vez, são filosofias de vida (não é definido qualquer sistema de crenças), ao passo que as religiões naturalistas, embora também não definam nenhum sistema de crenças, admitem que existem deidades e espíritos nas manifestações da natureza.

 Conceito de religião - O que é, Definição e Significado http://conceito.de/religiao#ixzz3wxkRDuz1

Comemoração do dia!