segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ópio

A palavra ópio em grego significa suco, o qual é obtido realizando-se incisões na cápsula de uma planta quando ainda verde, denominada Papaver somniferum, mais popularmente conhecida como papoula do Oriente, que é originária da Ásia Menor e cultivada na China, Irã, Índia, Líbano, Iugoslávia, Grécia, Turquia e sudoeste da Ásia. Desta mesma planta, também podem ser extraídas várias outras substâncias com propriedades farmacológicas.
Atualmente, o ópio é ilegal e considerado uma das substâncias mais viciantes que existem, no entanto possui propriedades anestésicas, e por milhares de anos foi utilizado como sedativo e tranquilizante, e também ministrado como remédio para diarréia, gota, diabetes, disenteria, tétano, insanidade e ninfomania.O ópio é produzido à partir deste suco resinoso, que é um látex leitoso e coagulado, que depois de seco, torna-se uma pasta de cor acastanhada, e então é fervida para transformar-se em ópio, que por sua vez tem um cheiro típico e desagradável, manifestando-se potencialmente com o calor, de sabor acre e amargo.
Do ópio também pode-se obter opiáceos naturais , como a morfina (alcalóide com efeito narcótico), e acodeína, e os opiáceos semi-sintéticos, onde temos como exemplo a heroína. Ainda temos as substâncias totalmente sintéticas, isto é fabricadas em laboratório que denominam-se opióides, que são narcóticos ou hipnoanalgésicos, ou seja, tem efeito analgésico e hipnótico (dão sono), utilizados sob prescrição médica como medicamentos, em casos extremos sem que se tenham outras opções.

Efeitos

De um modo geral. todos os opiáceos e opióides são depressores do SNC (Sistema Nervoso Central), ou seja, diminuem o seu funcionamento, produzindo uma hipnose e uma analgesia, mas, estão diretamente relacionados às doses administradas, pois quando utilizadas em doses maiores que a terapêutica poderão deprimir algumas outras regiões cerebrais, como por exemplo, a freqüência cardíaca, a respiração, pressão sangüínea, etc.
Algumas dessas drogas tem efeito farmacológico, quando administradas corretamente, e sob prescrição médica, como é o caso da codeína, muito eficiente como anti-tussígeno (contra a tosse). No caso de uso de substâncias ilícitas ou sem indicação médica flagra-se o que chama-se de abuso, onde o indivíduo estará sujeito à ações indiscriminadas e imprevisíveis da droga.
No caso do ópio, quando utilizado, na forma de pó, cápsulas, comprimidos, ou chás seus efeitos , durarão aproximadamente de três à quatro horas e dependerão da quantidade de droga utilizada, da freqüência do uso e das condições físicas e psicológicas do usuário, podem ser agudos ou crônicos, porém, de um modo geral são os seguintes:

Físicos

Vômitos, náuseas, ansiedade, tonturas, falta de ar, contração acentuada da pupila dos olhos, paralisia do estômago, prisão de ventre., palidez, perda de peso, membros pesados, queda da pressão arterial, alteração da freqüência cardíaca e respiratória, podendo chegar à cianose(cor azulada da pele), com o uso crônico poderá ocorrer intensificação de alguns sintomas, tais como: má digestão e prisão de ventre crônicas e problemas de visão devido à miose.

Psíquicos

O uso freqüente do ópio e à longo prazo diminui a atividade cerebral podendo causar: deterioração intelectual, irritabilidade crescente, apatia, mente letárgica, indisposição, declínio dos hábitos sociais, diminuição da capacidade de vigília (provoca o sono), alteram os centros da dor, causam depressão geral do cérebro ocasionando uma perda de contato com a realidade e mente obnubilada (sem rumo).

Overdose

Quando ocorre um aumento nas dosagens, os efeitos poderão evoluir para casos de overdose, com sonolência descontrolada, coma e em casos mais graves, a morte por falha respiratória.
A overdose ainda poderá ocorrer por mistura da droga com álcool e barbitúricos.

Tolerância e dependência

A maioria das drogas inicialmente, parecem inofensivas, trazendo falsas sensações de bem-estar, relaxamento e tranqüilidade momentâneas, diminuição da ansiedade cotidiana, mudança de estados psíquicos, agitação e vivência de experiências e visões totalmente ilusórias.
Após esse período, e com o uso freqüente, poderá desenvolver-se a tolerância (que é a busca de doses cada vez mais elevadas para um mesmo resultado). com possível dependência física e psíquica (trata-se de necessitar do entorpecente para sentir-se bem ou até mesmo para viver), que varia de acordo com a substância utilizada.
Igualmente à seus derivados, o ópio provoca no organismo, a tolerância e não pode-se prever o ponto em que o indivíduo torna-se grave dependente. Nesse caso, o usuário deixa de sentir o estupor causado pela droga, porém neste estágio já encontra-se totalmente aprisionado, de uma vez que, normalmente não deixa de consumi-la para escapar da inevitável e terrível síndrome de abstinência, que pode iniciar-se dentro de aproximadamente doze horas e estender-se de um à dez dias, incluindo: cólicas musculares e abdominais, lacrimejamento, dores cruéis, insônia, falta de apetite, inquietação, sudorese, arrepios, diarréias, tremores, instabilidade emocional com crises de choro, vômito,náuseas e vertigens. Além disso o o uso da droga não poderá ser descontinuado abruptamente, ficando o usuário neste caso, sujeito a sua morte.

Tratamento

Como vimos o ópio e seus derivados são substâncias com grandes possibilidades de causar dependência e mudanças bioquímicas permanentes a nível molecular, ocasionando uma pré-disposição ao uso, que mesmo depois de anos de privação da droga , o ex-dependente poderá retornar ao vício.
De qualquer forma, havendo o desejo de descontinuar o seu uso este deverá ter acompanhamento médico com diminuição progressiva da dose de opiáceo com possível inclusão de medicamentos que auxiliam no abandono da droga.

domingo, 8 de maio de 2016

Quiabo

De origem africana, o quiabeiro é atualmente cultivado em várias regiões tropicais, subtropicais e regiões temperadas do mundo, por conter frutos comestíveis saborosos e cheio de nutrientes. No Brasil, ele foi introduzido com o comércio de escravos e é cultivado em todas as regiões, principalmente na região Sudeste, com destaque para o Estado de São Paulo (Araçatuba e Campinas), que é o maior produtor do país.
Da família das Malvaceas da qual fazem parte mais de 2.000 espécies, entre elas o famoso cacaueiro, o quiabeiro assim como a maioria dos membros de sua família é uma planta arbustiva, porém existem algumas espécies, em menor quantidade, que são árvores e cipós. No entanto, todas as espécies desta família possuem canais mucilaginosos e indumento constituído geralmente por pêlos ramificados ou escamosos.
Presente na alimentação de muitos brasileiros, principalmente na dos baianos e mineiros, e, apreciado na culinária de várias culturas do mundo, o quiabo é consumido de variadas maneiras, tais como crus em saladas, refogados, cozidos, assados, grelhados e como ingrediente de diversas receitas. Desprezado por algumas pessoas por conter uma gomosidade característica o quiabo chama atenção em outro quesito, nutrição. Seu perfil nutricional é bem chamativo, e apesar da textura grudenta, que pode ser facilmente removida de acordo com a forma de preparo, o quiabo fornece vários nutrientes importantíssimos à saúde. Ele é rico em vitamina A, C e B1 e possui ainda em sua composição minerais como o cálcio, fibras e proteínas. Por fornecer poucas calorias (100 gramas contém cerca de 30 kcal) o quiabo pode estar contido em dietas de restrições calóricas e com a vantagem de ser um alimento de fácil digestão.
Além de todos estes nutrientes presentes no quiabo, ele também é conhecido por conter propriedades medicinais. Ele é anti-helmíntico, antiparasitário, demulcente e indicado como tratamento de várias enfermidades como diarreia, verminoses, disenteria, inflamações e irritação do estômago, rins e intestino.
Para conservar os quiabos por mais tempo após serem comprados, recomenda-se guardá-los em sacos plásticos e colocá-los na parte inferior da geladeira. Assim, o quiabo pode ser consumido em até uma semana. É importante ao prepará-lo, lavá-lo devidamente, para eliminar sujeiras e possíveis parasitas impregnados em sua casca. Para as pessoas que desejam remover a sua baba característica, uma dica é fritar os quiabos e pingar algumas gotinhas de limão.

sábado, 7 de maio de 2016

O Feijão na Alimentação

O feijão comum (Phaseolus vulgaris, L.) é a leguminosa mais consumida no Brasil, sendo considerado o ingrediente-símbolo da gastronomia brasileira. Junto com o arroz, forma a base da nossa alimentação e contribui significativamente como fonte de proteína e caloria.
Não há um consenso sobre a origem do feijão, mas há, no entanto, o senso comum de que realmente a origem do feijoeiro é o continente americano. Na Ásia, na África e na Europa existem variedades consideradas secundárias.
O feijão é um excelente alimento, muito rico nutricionalmente, pois fornece nutrientes essenciais ao ser humano, como proteínas, ferro, cálcio, magnésio, zinco, vitaminas (principalmente do complexo B), carboidratos e fibras.
Na alimentação dos brasileiros, o feijão é a principal fonte de proteína, seguido, em importância, pela carne bovina e pelo arroz. Apenas esses três alimentos básicos contribuem com 70% da ingestão protéica, além de ser uma cultura de grande expressão sócio-econômica no Brasil (Machado, Ferruzzi & Nielsen, 2008). A importância alimentar do feijão deve-se, especialmente, ao menor custo de sua proteína em relação aos produtos de origem animal (Mesquita et al, 2006).
Dentre os componentes do feijão, destacam-se principalmente os compostos fenólicos, substâncias antioxidantes vinculadas a um menor risco no desenvolvimento de alguns tipos de câncer e a uma menor incidência de doenças degenerativas (Machado, Ferruzzi & Nielsen, 2008); a isoforma 1 do inibidor da alfa-amilase, que apresenta potencial efeito no combate à obesidade e no tratamento adjuvante do diabetes (Obiro, Zhang & Jiang, 2008); e as fibras solúveis que, depois de ingeridas, se transformam em gel, permanecendo mais tempo no estômago, o que acarreta uma maior sensação de saciedade. Tal “gel” atrai as moléculas de gordura e de açúcar, que são eliminados pelas fezes, ajudando assim, a reduzir os níveis de colesterol e glicemia do sangue.
O consumo em quantidades média a alta de feijão está sendo associado a diminuição de riscos para outras doenças como o diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo neoplasias. Acredita-se que esse efeito benéfico do consumo do feijão é devido à presença de metabólitos secundários nessa leguminosa, os fitoquímicos, principalmente os compostos fenólicos e os flavonóides.
Este alimento apresenta, porém, um problema: suas proteínas têm valor nutricional pouco inferior ao apresentado pelas carnes, o que é decorrente do teor e biodisponibilidade reduzidos de aminoácidos sulfurados (Evans & Bauer, 1978; Antunes & Sgarbieri, 1980; Fukuda et al., 1982), principais aminoácidos que participam da síntese protéica (Geraldo, 2006); entretanto, quando combinado com arroz, por exemplo, forma uma mistura de proteínas mais nutritiva. Isto porque o arroz é relativamente rico em aminoácidos sulfurados (Mesquita et al, 2006).
Na análise do consumo de feijão no Brasil, primeiramente deve-se ressaltar que, apesar de importante, o feijão tem merecido pouca atenção. O consumo médio per capita de feijão na década de 1960 foi de 23 kg/habitante/ano, enquanto nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi, respectivamente de, 20, 16 e 17 kg/habitante/ano. Por outro lado, enquanto no período de 1974 a 1975, o consumo metropolitano per capita foi de 16,5 kg/ ano, o consumo rural foi quase o dobro, 32 kg/ ano.
Alguns estudos mostram que o processo de urbanização explica mais da metade da redução no consumo do feijão no período compreendido entre meados da década de 1970 e final dos anos 80. De acordo com o senso 2000, cerca de 81% da população brasileira estava concentrada nas cidades, que abrigam 137 milhões de pessoas. Entre outros fatores, essa rápida urbanização, associada à acentuada inserção da mulher no mercado de trabalho, provocaram um efeito acentuado nas mudanças do hábito alimentar da população e originaram novas demandas quanto à qualidade, apresentação, facilidade e menor tempo de preparo dos alimentos. Outros estudos indicaram que, no período de 1974 a 1988, a redução no consumo de feijão deveu-se à mudança no hábito alimentar e não ao fator preço, afirmando que a renda per capita explicava apenas pequena parcela da variação. Comparando-se esses resultados, concluiu-se que, no período de 1974 a 1988, o decréscimo do consumo de feijão foi menor nas metrópoles do que a média geral no país.
Os economistas afirmam que à medida que a renda do consumidor aumenta o consumo do feijão diminui. Por sua vez, outros afirmam que ocorreu um crescimento do preço real do feijão em comparação a outros alimentos. Outros ainda apontam a dificuldade de preparo caseiro e o tempo de cozimento que se contrapõe à necessidade de redução do tempo de trabalho doméstico. Além disso, há maior número de pessoas fazendo suas refeições fora do lar e a substituição do feijão por outras fontes de proteína, principalmente as de origem animal.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Tipos de vegetarianismo

Lactovegetarianismo: dieta composta por alimentos de origem vegetal, leite e seus derivados.
Ovovegetarianismo: dieta composta apenas por alimentos de origem vegetal e ovos, excluindo produtos lácteos.
Vegetarianismo semiestrito: dieta que exclui quase todos os alimentos de origem animal, abrangendo somente o mel
Vegetarianismo estrito ou Veganismo: exclui todo e qualquer alimento de origem animal

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Filosofia alimentar

Com motivações diferentes, cada vez mais jovens aderem a dietas que refletem também um modo de vida. Muitos se opõem à exploração e à criação de animais para serem usados na alimentação de humanos e se submetem a planos alimentares que, além de saudáveis, são politicamente corretos. Mas nem sempre é fácil seguir à risca, pois, muitas vezes, significa parar de comer algo que muitos deles apreciam, passar fome em eventos sociais, ter dificuldade em encontrar bons restaurantes e, principalmente, buscar conhecimento para não prejudicar a saúde. A nutricionista especializada em nutrição vegetariana Andreia Torres diz que a maioria das pessoas que a procura com o interesse em abolir o consumo de carne tem entre 18 e 25 anos. "Em geral, são influenciadas por amigos ou namorados preocupados com o bem-estar dos animais ou são adeptos da prática de ioga."

Apesar da mudança de hábito notada nos consultórios, os jovens ainda são minoria entre os vegetarianos. De acordo com o Target Group Index, do Ibope Media, a proporção de homens e mulheres que seguem a dieta sem carne é a mesma: cerca de 8%. A porcentagem, porém, é maior entre as pessoas de 65 a 75 anos. Nesse grupo, o percentual é de 10%. Já entre os jovens, de 20 a 24 anos, o índice é menor (7%), assim como o registrado entre homens e mulheres de 35 a 44 anos.

Os vegetarianos ainda têm que lidar com o preconceito. Quase todos reclamam das caras feias que recebem ao falar do hábito alimentar. Pensando nisso, o chef Flávio Giusti criou, no Youtube, o programa Vegetarirango, em que, com muito humor, ensina a fazer "comida vegetariana sem frescura", algo que muitos acham impossível. "É uma ideia que se tem por aí: de que vegetarianismo é frescura. Quero mostrar que não é bem assim."

O servidor público Pedro Arcanjo Matos, 27 anos, não come carne há quase 10 anos. Começou a praticar o vegetarianismo e, com o tempo, tornou-se vegano — não come nem usa nada que tenha origem animal. Ainda que gostasse muito de carne, acredita que foi a melhor escolha. Ele conta que até fez um ritual: "Foi uma questão ética e não de saúde. Por isso, fiz uma despedida oficial: comi camarão ao alho e óleo". A paixão, no entanto, passou, o que ele atribui a uma mudança no paladar. "Acho que fiquei mais sensível ao gosto das coisas e mais aberto a experimentar outras. Foi a mudança mais positiva na minha vida."

O vegetariano de Brasília passa pelo grande desafio, que devia ser simples, de encontrar onde comer. A dieta sem carne restringe muito as opções de estabelecimentos. Pedro, por exemplo, diz que mudou a rotina alimentar "na tora", à base de muito biscoito e outros carboidratos. A nutricionista Andreia Torres, porém, alerta: "A substituição das carnes por fontes vegetais com pouca proteína e muito carboidrato simples leva a um ganho de peso, principalmente na forma de gordura corporal". Ela costuma fornecer a seus pacientes uma apostila de cerca de 80 páginas com informações básicas e receitas do que é necessário para se tornar vegetariano.

Jovem e conectado, Pedro teve a ideia de um projeto: fazer um levantamento dos lugares vegetarianos e/ou veganos na cidade. Assim, criou um blog, o Distrito Vegetal, em 2009. Nele, além de fazer resenhas de restaurantes e sugerir lugares recém-abertos, dá receitas que recebe de leitores e outras dicas em geral. Ele vibra pela evolução de Brasília nesse quesito: "Quando comecei, não tinha quase nenhum lugar onde era possível comer. Atualmente, tem mais de 100. Isso é ótimo". O problema ainda são os preços, geralmente mais altos. Outro objetivo do Distrito Vegetal seria aproximar ainda mais os vegetarianos e os veganos. "As refeições são agregadoras, não dá para negar. Com o veganismo principalmente, a gente fica um pouco isolado." Pedro se orgulha de ter influenciado positivamente uma tradicional lanchonete da cidade. "Sempre que saíamos da balada, meus amigos e eu íamos lá e só comíamos batata frita. Conversamos com o pessoal — acho que outras pessoas também — e hoje eles oferecem hambúrguer vegetariano".

A comida acabou ganhando um papel central na vida do servidor, pois cada refeição precisa ser muito bem pensada. Namorar alguém que não fosse vegetariana até se tornou um problema. "Os relacionamentos que tive com não vegetarianas acabaram mudando a dieta delas. Acho que fiz algo bom pelas meninas. Seria muito difícil ter algo com alguém que come carne", confessa. Pedro reconhece tanto o preconceito contra vegetarianos e veganos quanto a chatice de alguns deles: "Muito querem fazer pregação aos outros, e isso não é legal". Na visão dele, não há como ser tão purista na sociedade em que vivemos, uma vez que temos necessidades. 

Quando a dieta vira negócio
A reclamação de todo vegano é a falta de lugares para comer. Com alguma experiência em um restaurante vegetariano de Brasília, a chef Marina Corbucci, 29 anos, começou a preparar marmitas veganas em casa para vender sob encomenda. O negócio foi crescendo, até que ela decidiu abrir seu próprio café, onde um dos mais famosos quitutes é o pão-sem-queijo, uma versão vegana do pão de queijo. A ideia surgiu da simples experiência de vida dela: "Eu mesma, quando mais nova, tinha muita dificuldade para comer fora de casa, então quis atender essa demanda". A chef se orgulha de ter também clientes que não são nem vegetarianos. "Eu queria também poder mostrar a comida vegana para o público geral." Com um ambiente mais descontraído, a maior parte da clientela tem entre 25 e 35 anos. Marina deixou de comer carne aos 16 anos. Um período fora do país, aos 21, fez com que ela fosse obrigada a cozinhar mais. Foi aí que se apaixonou pela gastronomia. Depois de formada em psicologia, percebeu que aquela não era a sua vocação. O Café Corbucci foi o primeiro restaurante vegano da capital e é referência entre os moradores daqui.

Uma tradição familiar
Janine Moraes/CB/D.A Press
Enquanto para alguns se tornar vegetariano é um desafio, já que precisam preparar a própria comida, para outros, há a facilidade de contar com uma família inteira adepta da dieta. Esse é o caso da família Riedel, que já está na quinta geração de vegetarianos. A segunda geração é a do advogado Ulisses Riedel, 80 anos, ativista do vegetarianismo. Os irmãos Rogério, 27, e Paulo Fontes, 25, advogados, e a prima Patrícia Resende, 30, nunca comeram carne. Patrícia e as duas irmãs, quando pequenas, sentiam até nojo, pois, desde cedo, os pais delas esclareciam a crueldade que a indústria da carne praticava contra os animais. Hoje, ela tem uma filha de 7 meses, Letícia, a qual pretende criar da mesma forma: "Meu marido não é vegetariano, mas simpatiza com a filosofia. Decidimos que não teria carne aqui em casa e que nossa filha seria criada como eu. Quando tiver idade para decidir se quer continuar assim ou não, vai ter toda a liberdade".

Numa época em que não havia facilidade de internet, Patrícia tinha como fonte de informação os próprios pais, as palestras do avô Ulisses Riedel e os livros de teosofia. Rogério e Paulo precisaram pesquisar ainda mais, pois não era costume dos pais conversarem sobre o assunto. "Começamos a estudar muito porque, sempre que dizíamos que éramos vegetarianos, nos enchiam de perguntas e precisávamos saber responder", conta Rogério, que foi além e, no início deste ano, tornou-se vegano, abolindo do cotidiano qualquer produto de origem animal que submeta animais à exploração. Essa transição na alimentação foi complicada no início, tanto por conta do seu bem-estar quanto pela falta de restaurantes disponíveis. Mas, atualmente, ele se sente muito mais disposto e, assim como Pedro Matos com seu blog, Rogério criou um aplicativo para celular com opções de onde comer, o Guia Vegan Bsb.

Janine Moraes/CB/D.A Press
Paulo admira a disciplina e a força de vontade do irmão: "Eu não consigo dizer que não vou mais comer tal coisa e, simplesmente, parar. Com o ovo, eu consegui parar porque o gosto virou referência de um filme que assisti, mas eu não deixo de comê-lo se está na receita de um bolo ou em uma massa, por exemplo". A restrição dele, assim como a do irmão, vai além da alimentação: "Nós só usamos cinto de borracha, nunca de couro. Mas é muito difícil encontrar aqui no Brasil."
A preocupação deles é com o sofrimento pelo qual a indústria faz os animais passarem. Eles não concordam com a forma como são tratados e lamentam a cultura da carne cultivada no Brasil. O preconceito ainda existe. Quando criança, Rogério passou por uma situação muito desagradável em uma visita a um colega de escola. Certa de que a opção por não comer carne não passava de um capricho, a mãe do colega e dona da casa escondeu pedaços de carne no meio da comida de Rogério. "Ela perguntou se estava gostoso e eu não seria mal-educado de dizer que não, então, ela começou a gargalhar e confessou que havia carne ali", lamenta.

Viajado, Paulo compara as condições do vegetariano aqui e em outros países: "Em qualquer outro país, é muito mais fácil. Até na África do Sul, um lugar economicamente inferior ao Brasil, tinha opções vegetarianas e veganas em todo restaurante que eu ia". O irmão, Rogério, critica: "O negócio é que aqui 3% do PIB nacional vem da indústria da carne".

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Lentes de contato: 9 erros que prejudicam a vista

1 – Enxaguar as lentes com água corrente. “Existem microrganismos na água potável que podem atingir a córnea e causar uma infecção”, alerta. Não lave o acessório na torneira ou chuveiro.
2 – Umedecer a lente com saliva. “Às vezes, a pessoa sente-se incomodada com as lentes de contato e, na ausência de material de higiene apropriado, umedece-as com saliva ou água comum. Apesar de considerar uma emergência, é uma péssima ideia. Passar saliva na lente é como mergulhá-la em uma banheira de bactérias”, afirma o especialista.
A indicação do médico, neste caso, é recorrer ao soro fisiológico ou às lagrimas artificiais para limpar os olhos e a lente. “Em último caso, é preferível jogar a lente fora a recorrer a esse tipo de solução”, completa.
3 – Reaproveitar a solução de limpeza. “As lentes ficam cheias de bactérias, e basta um arranhão microscópico na córnea para que haja uma infecção e até mesmo perda da visão”, alerta.
4 – Usar a mesma caixinha por muito tempo. “As caixas que guardam as lentes de contato devem ser trocadas entre três e quatro vezes ao ano, pois elas não estão livres de contaminação”, revela o oftalmologista. “Se você não tem paciência para limpar e armazenar lentes de contato e caixinhas do modo mais higiênico possível, é melhor considerar lentes descartáveis, óculos ou cirurgia ocular”, completa.
Cuidados com a caixinha também são importantes: troque-as a cada três ou quatro meses (Thinkstock)Cuidados com a caixinha também são importantes: troque-as a cada três ou quatro meses (Thinkstock)
5 – Tampar a caixinha quando ela ainda está úmida. Segundo Dr. Renato, muitas pessoas lavam o container com a solução apropriada, mas não esperam o tempo necessário de secagem para tampá-las, o que favorece a proliferação de bactérias. Outro erro comum é utilizar soluções caseiras não apropriadas para a lavagem. “É preferível comprar uma caixa nova, livre de contaminação, a colocá-la na máquina de lavar louça ou ferver dentro de uma panela”, diz.
6 – Usar lentes prescritas há muito tempo. Segundo o especialista, muitas pessoas usam as mesmas lentes por anos seguidos, ou então param de usar por um período e depois retomam o hábito, o que pode ser muito perigoso. “Primeiramente, por conta da provável contaminação do material. Depois, porque o grau pode ter sofrido variações ao longo dos anos. Por fim, é provável que o prazo de validade das lentes, caixa e solução tenham expirado, aumentando o risco de infecção”, alerta.
7 – Dormir de lentes. “Quando estamos acordados, a córnea recebe oxigênio do ar e das lágrimas que lubrificam os olhos. Quando estamos dormindo, a córnea recebe menos nutrientes, lubrificação e oxigênio. As lentes correm o risco de grudar ou arranhar a córnea”, explica.
8 – Colocar as lentes depois da maquiagem. A ação pode contaminar as lentes. Segundo Dr. Renato, é preciso colocar o acessório antes de passar a maquiagem e removê-lo antes de limpar o rosto. “Um detalhe importante é que quem faz uso de lentes não deve usar maquiagem à prova d’água, já que, em caso de contato, será bem difícil limpá-las”, completa.
9 – Ignorar sinais de incômodo. Vermelhidão, embaçamento da vista ou desconforto devem ser investigados, pois podem evoluir para quadros mais sérios. “Os olhos devem estar sempre claros e transparentes. Na dúvida, é sempre recomendável procurar um oftalmologista”, recomenda o especialista.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Depois de quatro horas de estudo, escute uma música

“A música atua sobre os principais neurotransmissores responsáveis diretos pelo humor e disposição física e mental. Atua tranquilizando a mente e recuperando o organismo para colocar novamente no cérebro a energia que foi perdida”, explica Velasco. Ele explica que depois de até quatro horas estudando, o cérebro está cansado e deixa de absorver conteúdos.  Nesse momento, o ideal é dar uma pausa de até duas horas antes de encarar novamente a leitura.
A recomendação é organizar uma playlist com as músicas preferidas, dando prioridade para ritmos mais relaxantes. “Tem uma hora que a mente não suporta mais e não adianta estudar sem qualidade. É recomendável parar, sair da concentração e ir em busca de alívio para a mente. Pode-se deitar em um sofá ou na cama e ouvir música, num lugar onde ninguém incomode”, sugere o especialista.