quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Colera

Causada pela bactéria Víbrio cholerae, que se instala no intestino delgado e libera as toxinas que causam a doença, a cólera é uma das doenças que matam com mais rapidez, em um período de até 48 horas após a apresentação dos sintomas.
Os sintomas mais comuns são:
  • Diarreia
  • Dores de cabeça
  • Cãibras – sobretudo na panturrilha
  • Vômitos
  • Desidratação.
Para evitar a cólera, é importante manter os ambientes que frequenta sempre limpos e higienizados, principalmente lugares onde se guarda ou prepara alimentos para cozinhar. O tratamento é realizado a base de antibióticos, diretamente no hospital.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Como se proteger da epidemia de sífilis no Brasil?

Três em cada cinco ocorrências (62,1%) estavam no Sudeste e a transmissão de gestantes para bebês é atualmente o principal problema.
A situação foi qualificada como "epidemia" somente agora, mas vem se desenvolvendo há mais tempo.
Em 2015, por exemplo, no país todo, foram notificados 65,878 casos. A maioria desses ocorreu na região Sudeste (56,2%) e afetou pessoas na faixa etária dos 20 aos 39 anos (55%), que se auto-declaram da raça branca (40,1%).
Não há dados majoritários sobre o nível de escolaridade, pois em 36,8% dos casos reportados essa informação não foi preenchida.
Em 2010, a incidência da doença em homens era maior - cerca de 1,8 caso para cada caso entre mulheres. Essa média caiu para 1,5 homem/mulher em 2015. Ou seja, as mulheres são o grupo cuja vulnerabilidade vem aumentando.
Os casos de sífilis congênita, de transmissão da mãe grávida para o bebê, também cresceram expressivamente.
No ano passado, a cada mil bebês nascidos, 6,5 eram portadores de sífilis. Somente cinco anos antes, em 2010, esse número era de 2,4 bebês em cada mil nascimentos. Ou seja, a incidência da sífilis congênita praticamente triplicou em meia década.
A Organização Mundial de Saúde, OMS, estima que cerca de 900 mil grávidas sejam infectadas com a sífilis a cada ano, resultando em 350 mil nascimentos com problemas, segundo dados de 2012.
A tendência de aumento de casos também pode ser observadas em outros países. Na Inglaterra, por exemplo, os novos casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis caíram 3% entre 2014 e 2015, mas o total de infecções de sífilis adquirida nesse contexto aumentou 20%.
Igualmente, nos Estados Unidos, os casos aumentaram 19% no mesmo período - entre 2014 e 2015 -, de acordo com o CDC, Centro para Prevenção e Controle de Doenças.
A BBC Brasil conversou por email com a médica colaboradora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Nemora Barcellos, para entender a doença e a epidemia atual. Leia abaixo os principais pontos da conversa:
BBC Brasil - O que é sífilis?
Nemora Barcellos - Sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, crônica. Ela se manifesta em diferentes estágios. Sem tratamento, apresenta evolução em fases: inicialmente com feridas na pele, pode evoluir para complicações que levam ao óbito, podendo afetar o sistema cárdio-vascular e neurológico. A causadora da doença é a Treponema pallidum, uma bactéria espiralada altamente patogênica. A sífilis é uma infecção muito antiga e recebeu inúmeras denominações ao longo dos séculos.
BBC Brasil - Quais são as formas de transmissão?
Dra Barcellos - A principal forma de transmissão é o contato sexual. A gestante também, por via hematogênica (pelo sangue), transmite para o feto a bactéria em qualquer fase da gravidez ou em qualquer estágio da doença. A transmissão via transfusão de sangue pode ocorrer, mas atualmente é muito rara, em função do controle do sangue doado.
BBC Brasil - Quais as formas de prevenção?
Dra Barcellos - A principal forma de prevenção é o uso de preservativos no ato sexual. O tratamento correto e completo também é considerado uma forma eficaz de controle, pois interrompe a cadeia de transmissão. O tratamento de ambos os parceiros é muito importante na prevenção para impedir que ocorra a re-infecção, garantindo que o ciclo seja interrompido.
Em relação à sífilis na gestante e à sífilis congênita, é importante o diagnóstico precoce. É necessário testar todas as mulheres que manifestarem o desejo de engravidar. Um pré-natal qualificado pressupõe como rotina exames para o diagnóstico da sífilis no primeiro trimestre, de preferência já na primeira consulta.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Soluço

O tão indesejado e incômodo "hic, hic" pode aparecer a qualquer momento - e normalmente surge nas situações mais impróprias. Na maioria das vezes, o soluço é causado por uma irritação no nervo chamado frênico, que auxilia os movimentos do diafragma, músculo que separa o tórax do abdome, na respiração. A expiração do ar acontece quando o diafragma relaxa e, a inspiração, quando ele se contrai.
Como o diafragma e o nervo frênico estão localizados logo acima do estômago, qualquer alteração neste pode prejudicá-los. Por isso, quando comemos demais ou ingerimos bebidas muito quentes, muito geladas ou com muito gás, o estômago incha e pode provocar uma irritação no frênico, que faz com que o diafragma se contraia. Assim, acontece a inspiração de ar, mas, ao mesmo tempo, ao contrário do normal, a glote se fecha. A glote, no funcionamento normal, só se fecha para a passagem de alimentos ao esôfago, e fica aberta para a respiração.
Ou seja, o soluço resulta de uma espécie de "pane" na sincronia do diafragma com a glote. O barulho desagradável é provocado pelas cordas vocais, que se movimentam com a passagem do ar.
Em alguns casos específicos, o soluço é causado por outros problemas diferentes do explicado acima. "Pode ser uma doença da vesícula, do esôfago, do estômago, ou até uma pneumonia na base do pulmão que provocam o soluço, pois são órgãos que podem afetar o diafragma", explica a gastroenterologista Maria do Carmo Sriche Passos, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A diferença do soluço comum para este outro mais raro é a frequência e a duração. O soluço comum passa em minutos e não aparece frequentemente. O outro, ao contrário, pode durar dias ou acontecer muitas vezes em curtos períodos de tempo. "Se achar que o soluço já se tornou um problema que incomoda, o melhor é procurar um médico para desvendar as causas e indicar o melhor tratamento", alerta a médica.
Para curar o soluço comum, a única maneira é relaxar o diafragma. Segundo a professora, só duas coisas funcionam: segurar o ar, cessando a respiração pelo nariz e pela boca por um tempo, ou tomar um copo de água ou de suco "virando" de uma só vez.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dia das Bruxas, ou melhor, HALLOWEEN

O Dia das Bruxas é conhecido mundialmente como um feriado celebrado principalmente nos Estados Unidos, onde é chamado de Halloween.
Mas hoje em dia é celebrado em diversos outros países do mundo, inclusive o Brasil, onde hábitos como o de ir de porta em porta atrás de doces, enfeitar as casas com adereços "assustadores" e participar de festas a fantasia vêm se tornando mais comuns.
Mas sua origem pouco tem a ver com o senso comum atual sobre esta festa popular. Entenda a seguir como ela surgiu.

De onde vem o nome?

O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido. Seu nome deriva de "All Hallows' Eve".
"Hallow" é um termo antigo para "santo", e "eve" é o mesmo que "véspera". O termo designava, até o século 16, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.
Mas uma coisa é a etimologia de seu nome, outra completamente diferente é a origem do Halloween moderno.

Como a festa começou?

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Desde o século 18, historiadores apontam para um antigo festival pagão ao falar da origem do Halloween: o festival celta de Samhain (termo que significa "fim do verão").
O Samhain durava três dias e começava em 31 de outubro. Segundo acadêmicos, era uma homenagem ao "Rei dos mortos". Estudos recentes destacam que o Samhain tinha entre suas maiores marcas as fogueiras e celebrava a abundância de comida após a época de colheita.
O problema com esta teoria é que ela se baseia em poucas evidências além da época do ano em que os festivais eram realizados.
A comemoração, a linguagem e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região. Os galeses celebravam, por exemplo, o "Calan Gaeaf". Há pontos em comum entre este festival realizado no País de Gales e a celebração do Samhain, predominantemente irlandesa e escocesa, mas há muitas diferenças também.
Em meados do século 8, o papa Gregório 3º mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio - a data do festival romano dos mortos - para 1º de novembro, a data do Samhain.
Não se tem certeza se Gregório 3º ou seu sucessor, Gregório 4º, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de "cristianizar" o Samhain.
Mas, quaisquer que fossem seus motivos, a nova data para este dia fez com que a celebração cristã dos santos e de Samhain fossem unidos. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram se misturando.
O Dia das Bruxas que conhecemos hoje tomou forma entre 1500 e 1800.
Fogueiras tornaram-se especialmente populares a partir no Halloween. Elas eram usadas na queima do joio (que celebrava o fim da colheita no Samhain), como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir bruxaria e a peste negra.
Outro costume de Halloween era o de prever o futuro - previa-se a data da morte de uma pessoa ou o nome do futuro marido ou mulher.
Em seu poema Halloween, escrito em 1786, o escocês Robert Burns descreve formas com as quais uma pessoa jovem podia descobrir quem seria seu grande amor.
Muitos destes rituais de adivinhação envolviam a agricultura. Por exemplo, uma pessoa puxava uma couve ou um repolho do solo por acreditar que seu formato e sabor forneciam pistas cruciais sobre a profissão e a personalidade do futuro cônjuge.
Outros incluíam pescar com a boca maçãs marcadas com as iniciais de diversos candidatos e a leitura de cascas de noz ou olhar um espelho e pedir ao diabo para revelar a face da pessoa amada.
Comer era um componente importante do Halloween, assim como de muitos outros festivais. Um dos hábitos mais característicos envolvia crianças, que iam de casa em casa cantando rimas ou dizendo orações para as almas dos mortos. Em troca, eles recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido liberada do purgatório.
Igrejas de paróquias costumavam tocar seus sinos, às vezes por toda a noite. A prática era tão incômoda que o rei Henrique 3º e a rainha Elizabeth tentaram bani-la, mas não conseguiram. Este ritual prosseguiu, apesar das multas regularmente aplicadas a quem fizesse isso.

domingo, 30 de outubro de 2016

Como funcionam os bancos de armazenamento de células-tronco?

Célula-tronco (ou célula-mãe) é uma célula indiferenciada, capaz de se transformar em quaisquer outros tipos de células que formam os diferentes tecidos do corpo-humano. "Por isso, elas são capazes também de regenerar órgãos e tecidos lesionados, promovendo a recuperação dos mesmos, tipo de tratamento chamado de terapia celular", explica o médico e pediatra Carlos Alexandre Ayoub, diretor do Centro de Criogenia Brasil (CCB), em São Paulo. Atualmente, esse tipo de terapia é utilizado no tratamento de doenças derivadas do sangue, como leucemia e outras anemias. "Outras estão em fase de pesquisa e apresentando bons resultados, como diabetes tipo 1, cirrose, insuficiência cardíaca, infarto, esclerose múltipla, traumatismo de medula, Alzheimer e Parkinson".
Existem três fontes principais de células-tronco no corpo humano: as embrionárias, as da medula óssea do adulto e as do sangue do cordão umbilical. "As primeiras são polêmicas, pois para seu uso é necessário destruir o embrião", explica. Já as células da medula óssea podem ser obtidas de duas maneiras: com procedimento cirúrgico ou uso de quimioterápicos. "O procedimento cirúrgico pode causar um grande desgaste no osso, levando a problemas futuros, como fraturas e osteoporose. E não pode ser feito quando o paciente tem doenças prévias ou antecedentes como alcoolismo ou uso de drogas", diz o médico. O uso de quimioterápicos estimula uma grande produção da medula, fazendo as células-tronco extravazar para o sangue periférico. "Também é muito arriscado, pois além de usar medicamentos fortes, que provocam efeitos colaterais, poderia levar a uma disfunção da medula óssea", avalia o médico.
A retirada das células-tronco do sangue do cordão umbilical, por sua vez, é feita no momento do nascimento do bebê. "É quando essas células estão migrando do fígado e do baço para a medula óssea, e se consegue coletar um grande número delas (mais de 500 milhões), o suficiente para pelo menos um tratamento", conta Carlos Ayoub. Ele explica que o processo não é invasivo nem doloroso, pois não se toca no bebê nem na mãe.

A coleta é feita logo após o nascimento do bebê, ainda na sala de parto. "Quando o obstetra corta o cordão umbilical, faz-se uma punção na veia e na artéria nele existentes. Todo o sangue contido entre a punção e a placenta é transferido para uma bolsa estéril própria para a coleta", explica Ayoub. O material coletado tem entre 70ml e 150ml e é encaminhado a um laboratório, onde é processado e congelado em nitrogênio líquido. "Pesquisas mostram que materiais biológicos, como as células-tronco, quando armazenados a uma temperatura de -133º Celsius, têm uma pausa em seu metabolismo, podendo ser reativadas após tempo indefinido para o uso".

No Brasil, existem cerca de dez bancos privados de armazenamento de células-tronco do cordão umbilical e dois públicos - um em São Paulo, no Hospital Israelita Albert Einstein, e outro no Rio de Janeiro, na sede do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Nos bancos privados, a pessoa precisa pagar uma taxa para a coleta, processamento e congelamento das células, além de uma mensalidade para manutenção. Elas ficam disponíveis somente para o doador. Já os bancos públicos disponibilizam as unidades imediatamente para quaisquer pacientes brasileiros que precisem de transplante de medula óssea e não tenham um doador familiar.

sábado, 29 de outubro de 2016

Quais são os órgãos e os tecidos que podem ser obtidos de um doador vivo?

O transplante é um procedimento cirúrgico em que há reposição de um órgão (coração, pâncreas, pulmão, fígado, rim) ou de tecidos (medula óssea, ossos, córneas) de um indivíduo doente por outro órgão ou tecido saudável de um doador, morto ou vivo. A doação após a morte acontece quando a pessoa é diagnosticada com morte encefálica e sua família autoriza a retirada de seus órgãos para transplantes. Já, a doação em vida é um ato voluntário do próprio doador e, de acordo com a legislação brasileira, só pode ser feita por parentes de até quarto grau do receptor ou pelo cônjuge. "Se não for familiar, é exigida a autorização judicial, para evitar qualquer possibilidade de comércio", explica o médico Valter Duro Garcia, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Além disso, é preciso que o doador seja maior de idade e saudável. Um médico deverá avaliar a história clínica da pessoa e suas doenças prévias. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Segundo Valter, os órgãos que podem ser doados em vida são: rim (são os casos mais comuns), parte do fígado (menos frequente, mas possível pela sua capacidade de regeneração), parte do pulmão (casos raros, geralmente para crianças e com a necessidade de dois doadores para um receptor) e até mesmo parte do pâncreas e do intestino (ambos em situações excepcionais). "No Brasil, são realizados, por ano, com doadores vivos, cerca de 1,2 mil a 2 mil transplantes de rim, 120 a 160 de fígado e um a três de pulmão", afirma o médico. Com relação aos tecidos, o único que pode ser transplantado em vida, e somente em vida, é o das células hematopoiéticas, ou seja, da medula óssea. Nesse caso, a pessoa não precisa ter laços de parentesco com o doente. "É só ir ao banco de medula, coletar uma amostra de sangue e, se alguém que precisar do transplante for imunologicamente compatível, será solicitada a doação da medula óssea", explica o clínico-geral Leonardo Borges, coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Por não apresentar riscos ao doador, essa é a única forma de transplante que permite que crianças e gestantes também sejam doadoras. Para os demais órgãos, no entanto, os riscos existem e são os mesmos inerentes a qualquer cirurgia. "Apesar de toda investigação prévia demonstrando que o doador é saudável, a remoção de órgãos apresenta o risco da anestesia e de embolia pulmonar, além daqueles que envolvem o procedimento, como sangramento e infecção", esclarece Valter Garcia. Porém, ele afirma que, realizando-se as avaliações médicas adequadas no paciente e tomando-se as devidas medidas de prevenção, com uma equipe experiente, os riscos são mínimos. "Se eles fossem altos, a gente não faria", complementa Leonardo.
São diversas as doenças que podem levar à necessidade desses transplantes. No caso do rim, a hipertensão e o diabetes são as principais causas da perda de função do órgão. Já o fígado precisa ser substituído quando os pacientes apresentam falência hepática provocada por problemas agudos, como hepatite fulminante, ou crônicos, como cirrose, ou mesmo por tumores na região. O transplante pulmonar, por sua vez, é indicado para doenças terminais, geradas por fibroses, enfisemas e doenças obstrutivas crônicas. No caso da medula óssea, a cirurgia é recomendada para tratar pacientes com anemia aplástica, leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. "Após a operação, a maioria dos receptores apresenta excelente reabilitação, com retorno às atividades habituais", afirma o presidente da ABTO. "Mas a recuperação depende do tipo de transplante e da gravidade que o paciente estava na época. Devido aos riscos de rejeição e de outras complicações, ele fica de uma a quatro semanas internado e deve tomar medicação imunossupressora o resto da vida". O doador, no entanto, apresenta recuperação muito mais rápida. "No caso do transplante renal, por exemplo, ele fica internado de três a cinco dias e retoma suas atividades normais, como dirigir e trabalhar, em torno de três semanas", conta o médico. Após esse período, ele volta a ter uma vida normal, sem nenhuma restrição física ou alimentar - mas deve fazer uma avaliação clínico-laboratorial anual.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Como os analgésicos atuam no corpo?

Os analgésicos bloqueiam as substâncias (receptores sensoriais) do corpo que enviam a mensagem ao cérebro dizendo que há um foco de inflamação ou algum outro problema. Quando o cérebro deixa de receber esse aviso, a dor cessa. A origem da palavra analgésico já diz tudo: em grego, an significa "sem" e algós, "dor".
Um exemplo simples é o da queimadura. Assim que colocamos a mão em um local quente, antes mesmo de sentirmos a dor já desencostamos dali. Isso acontece porque as células nervosas do local queimado emitem um sinal imediato ao cérebro dizendo que há algo errado. Só então ele "envia" a sensação de dor.
Os analgésicos comuns, desses comprados em comprimidos na farmácia, são chamados de periféricos, porque depois de ingeridos vão por todo o organismo pela circulação sanguínea. "O medicamento não detecta onde está a dor. Como ele está espalhado pelo sangue, o local que tem a dor absorve o remédio", explica o médico e farmacologista Sérgio Henrique Ferreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP).
O analgésico demora de 30 minutos a uma hora para começar a agir e cessa depois de três ou quatro horas. "Por isso, para dor crônica é preciso um tratamento mais longo", diz o médico.
Outro tipo de analgésico é o chamado central, utilizado em casos de dor intensa e contínua, em casos mais graves como infarto e câncer, por exemplo. Entre os analgésicos desse tipo está a morfina, que atua diretamente no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), alterando a percepção de dor para o corpo todo.
É importante salientar que dor é sempre um sinal de que algo não está bem. Pode ser uma simples dor de cabeça, um pequeno corte ou até um infarto. Por isso, tomar analgésicos sem saber a causa da dor é perigoso, pois eles podem "esconder" sintomas de um problema sério. Na dúvida, o correto é sempre procurar um médico.